Lipoaspiração estudo multicêntrico

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14 de maio de 2016

Lipoaspiração estudo multicêntrico |, , , , ,

Exercício é extremamente importante após lipoaspiração

Se não praticado, quase toda a gordura retirada é realocada

Por Isabella Vitoria Galante Amaral

Créditos: Saudemedicina.com

Em 2015, o Brasil se tornou o País onde mais se realiza cirurgia plástica, atingindo 83 mil procedimentos por mês e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) colocou a lipoaspiração como a prática mais popular. No entanto, a aparente facilidade em realizar o procedimento subestima não apenas os riscos, como as consequências a longo prazo.

Os custos da cirurgia variam entre R$ 1.800 a R$ 4.500 e não intimida as mulheres, que preferem pagar os custos materiais e sofrer as potenciais complicações do procedimento a exibirem um corpo que foge do padrão estético das magras, com o mínimo de gordura possível. A promessa de conquistar uma barriga definida sem esforço e com os mesmos hábitos alimentares atrai as pessoas, mas os especialistas afirmam que nenhum método poderia gerar esse resultado na ausência de hábitos saudáveis.

O estudo

A maioria dos estudos realizados demonstra inalteração do perfil lipídico em resposta à lipoaspiração. Foi pensando nisso que Fabiana Braga Benatti, do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Alimentos e Nutrição (Napan), propôs em sua tese de doutorado examinar profundamente a questão dos efeitos da cirurgia se não for acompanhada de exercícios físicos, investigando se o tal procedimento desapareceria com a gordura que sobra no corpo, para nunca mais voltar.

A pesquisadora notou que eram inexistentes os estudos que associavam os efeitos da atividade física e a lipoaspiração, principalmente em relação às mulheres eutróficas (de 20 a 35 anos com IMC de ± 23,8kg/m²), que são as que mais se submetem à cirurgia. Com isso, ela acompanhou 36 mulheres após a lispectomia. Sessenta dias depois, metade delas começou a se exercitar, enquanto as outras permaneceram sedentárias.

As voluntárias selecionadas para a pesquisa não modificaram o consumo alimentar durante o estudo e não apresentavam diabetes, hipertensão, hipo ou hipertireoidismo, ou problemas que impediam atividade física, que foi praticada três vezes por semana, pelo grupo ativo, durante 16 semanas, combinando treinamentos aeróbicos e atividades de força, com duração de 60 a 90 minutos cada sessão.

O resultado mostrou que, seis meses após a operação, as inativas haviam reconquistado boa parte da gordura perdida, sendo que uma porção foi se alojar no tecido visceral, que expandiu após a lipo.A remoção do tecido adiposo subcutâneo pareceu desencadear mecanismos que favorecem a reposição e o crescimento compensatório de tecido adiposo, em especial na cavidade visceral, que é o depósito responsável por deixar a barriga inchada e dura, está relacionado ao risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares e não sofre ação pela lispectomia.

Quando a gordura corporal, que funciona como um estoque de energia, é removida subitamente, o organismo adota um método para repô-la rápido, e será recuperada dentro de um período de semanas a meses, principalmente devido ao alargamento do tecido intacto, mais do que à reposição do tecido removido. Como o tecido subcutâneo foi comprometido pelo procedimento cirúrgico, o tecido visceral passa a captar os lipídeos ingeridos pela alimentação. O mecanismo pelo qual a quantidade total de gordura corporal pode ser recuperada após a lipo ainda é desconhecido.

Já as voluntárias que passaram a malhar não voltaram a ganhar gordura, elas diminuíram ainda mais as medidas e não apresentaram a reposição de lipídios na cavidade visceral como foi observado no outro grupo. Isso se deve ao fato que o treinamento físico provoca uma diminuição do tecido subcutâneo visceral, também é capaz de prevenir o crescimento compensatório de tecido adiposo, em geral. Ou seja, a prática de exercícios é de extrema importância para preservar os efeitos da cirurgia.

Ter ocorrido um aumento significativo do tecido adiposo visceral após a lipoaspiração é um resultado inédito na literatura, além da descoberta de que pode ser prevenido através de atividades físicas. Percebe-se, então, que com a lispectomia a gordura “nova” será redistribuída a cavidade visceral e portanto mais prejudicial à saúde que antes do procedimento.

Outras opiniões

O personal trainer Rafael Picolo adverte que há grande probabilidade de que a cirurgia não resulte na felicidade de quem se submeteu ao procedimento. Por isso, ele não indicaria mesmo que esta não consegue atingir os resultados esperados através da academia. No entanto, para que a prática de exercícios tenha uma ação direta na modificação estética é necessário que ela seja diária, o que requer dedicação. Se a pessoa não tem a força de vontade para lutar por esse objetivo então ela poderá recorrer a uma intervenção. Não podemos esquecer que a lipoaspiração não tem uma influência positiva na saúde, isso só pode ser alcançado com atividade física, que melhora a qualidade de vida por meio da diminuição da hipertensão arterial, condicionamento cardiovascular, diminuição da gordura corporal. Os benefícios são incontáveis e a modificação corporal é consequência.

O profissional ainda afirma que seria importante o acompanhamento de um personal trainer após um procedimento cirúrgico porque há um planejamento do treinamento ideal para o aluno, visando às metas dele e acelerando o processo de recuperação. Porém, a prática só deve ser adotada depois de 30 dias, e caso o procedimento for mais simples, 15 dias são suficientes.

Silmara Passeto, que não participou do estudo, fez a cirurgia com 36 anos porque estava se sentindo obesa (com 86kg) e não conseguia perder peso através de dieta, mas antes de passar pelo procedimento teve que ainda que eliminar 16kg por recomendação médica. Após a lipoaspiração, Silmara diz que sua autoestima melhorou, ela mudou seus hábitos alimentares e passou a caminhar. Entretanto, dois anos depois ela voltou a ganhar peso. Apesar disso, nove anos após o procedimento ela não se arrepende e até faria novamente se não fosse pelas complicações do pós-operatório. Mesmo assim, Silmara acredita que as mulheres deveriam seguir uma dieta equilibrada e não recorrer a intervenções cirúrgicas por conta do risco e incômodo que oferecem.

O cirurgião plástico Eduardo Daud diz que todo procedimento cirúrgico é uma agressão ao organismo, há consequências previsíveis como edema, hematomas, contudo pode melhorar a autoestima do paciente, tem um aspecto emocional forte, e por isso é válida. Alguns pacientes buscam a cirurgia porque têm o peso adequado, mas apresentam tecido gorduroso concentrado em áreas que o incomodam, e que o exercício físico não é capaz de eliminar, essa é indicação ideal. Todavia, reeducação alimentar e atividades físicas são muito mais saudáveis. O médico conclui que após a lipoaspiração não é necessário malhar indefinidamente, é possível manter o peso com alimentação adequada.

A American Academy of Cosmetic Surgery alerta que a cirurgia deve ser feita em depósitos de gordura que não respondem a bons hábitos alimentares e exercícios, esses devem ser sempre a primeira opção para perder peso. A lipoaspiração também não deve ser considerada como tratamento à obesidade, uma vez que não leva a alterações benéficas no consumo energético ou no metabolismo, pois é uma cirurgia de cunho estético. Fabiana acrescenta que ela não leva ao emagrecimento e não é capaz de retirar a gordura mais prejudicial ao metabolismo, por isso é destinada a quem deseja retirar quantidades pequenas de depósitos de gordura localizados.

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Fonte: http://www.usp.br

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